A maior revolução para parte dos calouros, ao entrar na
universidade, não é viver a experiência do ensino superior, mas sim a de morar sozinho ou dividir residência. A expectativa de alguns é que sua casa se torne o
segundo Cacos da galera (não tenho tal expectativa porque uma única
pessoa ocupa todo meu apartamento). E o que fazer, quando chegar em casa e não
tem ninguém para conversar, ou internet para se comunicar? Você liga a TV para fingir
que tem alguém perto. Minha primeira semana de aulas e “vida independente” foi, no
mínimo, um choque de realidade: pegar uma gripe, passar os dias tomando chá e
vendo todas as novelas possíveis por falta de opção.
Além dos sintomas forçados de
velhice, o supermercado foi uma surpresa - cara, diga-se de passagem. Já viram o preço das coisas? E no final do
mês começam a chegar contas, uma tijolada na cabeça (ou um Chatô, a dor deve
ser a mesma) a cada envelope aberto. Aprender a andar de ônibus é uma arte: tem
que estudar a porta com menos gente para conseguir pegar um lugar para sentar,
senão é melhor separar as pernas para não beijar o chão.
Você começa a ser adepto do movimento “roupa desamassa no
corpo” e comida de repente vira artigo de luxo, ou no mínimo exótico. O almoço,
se não for no RU, vira em pipoca e Nescau: porque você tem que tomar o leite
antes que vença (ou que não passe muito da data). O açúcar acabou, e agora? Começa
a juntar – não roubar - pacotinhos de açúcar do McDonald’s, aplicando o mesmo
método para sachês de ketchup e similares. Bate uma saudade da comida de casa,
da mãe, da vó, ou de qualquer familiar.
E não é só pela comida que a saudade vem, mas de estar
junto a eles. Não tem mãe ou pai para te buscar nas saídas, salvar das
lagartixas e mariposas, conversar no café, almoço ou jantar, nem tem irmãos
azucrinando sua vida – e acredite, faz falta. E o que eu posso dizer a quem não
pode vê-los com muita frequência? São coisas que todo mundo passa,
mais cedo ou mais tarde. A distância pode até ajudar no relacionamento
familiar, se serve de consolo. Uma hora a gente tem que cair na real e nos virar sozinhos, isso é ser adulto. E entre vantagens e desvantagens, momentos
felizes e outros nem tanto, nós caminhamos para frente. Mas afinal, o que na
vida não é assim? A melhor solução é aproveitar o máximo e focar nas coisas
boas (que são muitas) desta nova fase.
Ótimo texto André, sério, adorei. Contou a minha vida haha beijos
ResponderExcluirConsegui me ver daqui um tempo
ResponderExcluirAlgumas risadas seguidas de um aperto no peito...
Texto muito bom!!
A triste situação de se obrigar a tomar o leite antes que passe do prazo de validade haha ótimo texto!
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