sexta-feira, 26 de abril de 2013

Longe de casa, há mais de uma semana...


A maior revolução para parte dos calouros, ao entrar na universidade, não é viver a experiência do ensino superior, mas sim a de morar sozinho ou dividir residência. A expectativa de alguns é que sua casa se torne o segundo Cacos da galera (não tenho tal expectativa porque uma única pessoa ocupa todo meu apartamento). E o que fazer, quando chegar em casa e não tem ninguém para conversar, ou internet para se comunicar? Você liga a TV para fingir que tem alguém perto. Minha primeira semana de aulas e “vida independente” foi, no mínimo, um choque de realidade: pegar uma gripe, passar os dias tomando chá e vendo todas as novelas possíveis por falta de opção.

Além dos sintomas forçados de velhice, o supermercado foi uma surpresa - cara, diga-se de passagem. Já viram o preço das coisas? E no final do mês começam a chegar contas, uma tijolada na cabeça (ou um Chatô, a dor deve ser a mesma) a cada envelope aberto. Aprender a andar de ônibus é uma arte: tem que estudar a porta com menos gente para conseguir pegar um lugar para sentar, senão é melhor separar as pernas para não beijar o chão.

Você começa a ser adepto do movimento “roupa desamassa no corpo” e comida de repente vira artigo de luxo, ou no mínimo exótico. O almoço, se não for no RU, vira em pipoca e Nescau: porque você tem que tomar o leite antes que vença (ou que não passe muito da data). O açúcar acabou, e agora? Começa a juntar – não roubar - pacotinhos de açúcar do McDonald’s, aplicando o mesmo método para sachês de ketchup e similares. Bate uma saudade da comida de casa, da mãe, da vó, ou de qualquer familiar.

E não é só pela comida que a saudade vem, mas de estar junto a eles. Não tem mãe ou pai para te buscar nas saídas, salvar das lagartixas e mariposas, conversar no café, almoço ou jantar, nem tem irmãos azucrinando sua vida – e acredite, faz falta. E o que eu posso dizer a quem não pode vê-los com muita frequência? São coisas que todo mundo passa, mais cedo ou mais tarde. A distância pode até ajudar no relacionamento familiar, se serve de consolo. Uma hora a gente tem que cair na real e nos virar sozinhos, isso é ser adulto. E entre vantagens e desvantagens, momentos felizes e outros nem tanto, nós caminhamos para frente. Mas afinal, o que na vida não é assim? A melhor solução é aproveitar o máximo e focar nas coisas boas (que são muitas) desta nova fase.

3 comentários:

  1. Ótimo texto André, sério, adorei. Contou a minha vida haha beijos

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  2. Consegui me ver daqui um tempo
    Algumas risadas seguidas de um aperto no peito...
    Texto muito bom!!

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  3. A triste situação de se obrigar a tomar o leite antes que passe do prazo de validade haha ótimo texto!

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